segunda-feira, 3 de junho de 2013

ATRIBUIÇÕES Professor de Educação especial/ sala de aula

Professor de Educação especial/ sala de aula

·        Tem como principal função atuar de forma colaborativa com o professor regente.

Atribuições

·        Propor parceria de trabalho com o professor regente.
·        Proporcionar a autonomia do educando.
·        Seguir orientações dos profissionais que atuam com o educando.
·        Realizar avaliações juntamente com o professor regente.
·        Auxiliar os educandos nas seguintes atividades:
·        Alimentação, Higiene e Locomoção.
·        Vistoria na mobília e materiais adaptados
·        Acompanhar no recreio, aulas de educação Física, Informática e Artes.
·        Realizar registro e arquivar todas as informações a respeito do educando.
·        Substituir eventualmente o professor regente do grupo que atua por no máximo três dias consecutivos.

Compete ao professor de Educação Especial na Ausência do Aluno.

·        Permanecer em sala de aula.
·        Permanecer na unidade educativa desenvolvendo estudos, confecção de materiais.
·        Receber orientações dos profissionais do AEE.
·        Acompanhar outros educandos da Educação Especial de acordo com a necessidade do dia. ( Neste item aqui no Frei temos o aluno Visual que deverá contar com o apoio de todos principalmente no recreio).
·        Não ministrar aulas para outros grupos.

·        Todo professor de Educação Especial/Sala de aula poderá exercer a função de professor volante.

COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA: RECURSOS E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE INCLUSÃO DO ALUNO COM SEVERO DISTÚRBIO NA COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA: RECURSOS E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NO
PROCESSO DE INCLUSÃO DO ALUNO COM SEVERO DISTÚRBIO NA COMUNICAÇÃO
Débora DELIBERATO1
ALGUMAS REFLEXÕES A RESPEITO DE COMUNICAÇÃO
Saussure (1970) foi pioneiro ao afirmar que existiria um meio para se comunicar,
exclusivamente humano, vinculado a processos mentais – psíquicos, fisiológicos e acústicos de
ambos os interlocutores; este meio seria a linguagem. Para a demonstração da sua competência
lingüística inata, o indivíduo humano deveria estar inserido em uma determinada cultura que, por
relações interpessoais constantes, convencionariam um sistema de signos lingüísticos a ser
utilizado - sua língua. Segundo o autor, as formas de se expressar este sistema de signos – língua
– poderiam ser a fala, a escrita e a língua de sinais, específica da cultura dos surdos.
A comunicação humana é uma troca de sentimentos e necessidades entre duas ou
mais pessoas. “Quando uma mensagem deve ser transmitida, tipicamente as pessoas utilizam a
linguagem, que, quer falada, escrita, ou por sinais, envolve um sistema que transmite um
significado” (BOONE; PLANTE, 1994, pg. 83).
Bloom (1983) definiu a linguagem como um código usado para transmitir idéias
sobre o mundo que nos cerca. Este código seria representado por um sistema convencional de
signos arbitrários, que serviriam para comunicar as idéias. Segundo esta definição, as palavras
chave da linguagem seriam: código, convenção, sistema e comunicação.
O autor afirmou que a linguagem é um código porque seria a maneira de se
representar algo. Quando um indivíduo fala, ele codifica, ou seja, ele coloca os fatos conhecidos e
lembrados em idéias e combina esses elementos em códigos para representar a mensagem que
pretende passar ao outro. Quando o indivíduo escuta a mensagem de alguém, ele decodifica,
conhece e reconhece os elementos do código e desta maneira extrai a informação e os dados
necessários sobre a mensagem recebida. Esta linguagem não se encontra apenas como uma
competência fisiológica própria do ser humano, seu âmbito faz parte de sua história e cultura.
Argyle (1976) afirmou que a capacidade de se comunicar por meio da linguagem é
uma característica exclusivamente humana que, portanto, nos diferencia dos outros primatas. Para
ele, a linguagem surge da interação social e os “processos lingüísticos” tornam-se importantes
para o controle e coordenação do comportamento individual e no desenvolvimento e transmissão
de cultura. Segundo o autor, para duas pessoas se comunicarem por meio da linguagem é
1 Docente do Departamento de Educação Especial e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp de Marília. Membro do
Grupo de Pesquisa Deficiências Físicas e Sensoriais.
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necessário que elas usem as palavras da mesma forma, convencionadas pela língua vinculada à
sua cultura. “A língua real aprendida é aquela que se desenvolveu, durante um longo período de
desenvolvimento cultural, na cultura da criança” (ARGYLE, 1976, pg. 77).
Luria (1978) explicou que o aparecimento da linguagem implica fatores
determinantes para o desenvolvimento da consciência, pois, ao designar um objeto por um nome,
cria-se a possibilidade de discrimina-lo e conserva-lo na memória. Para ele, as palavras abstraem
propriedades dos objetos que nomeiam, relacionando-os e formulando categorias. Esta
possibilidade “assegura a transição do sensorial ao racional na representação do mundo” (LURIA,
1979, p.80).
Para Limongi (1995, 2000) a aquisição da linguagem é função da elaboração das
estruturas cognitivas, além de depender também de um modelo exterior. É uma das manifestações
da capacidade humana de representar eventos, mesmo na sua ausência, portanto implica em
representação dotada de significação, além de ser um sistema que combina símbolos de acordo
com regras, que devem ser adquiridas e aplicadas na conservação e na compreensão.
Camaioni (1980) afirmou que a linguagem infantil é um meio de comunicação, além
da mímica, das expressões gestuais e corporais, além de um meio de interação social e um
instrumento de conhecimento. Primeiramente, porque torna possível conhecer a realidade sob um
plano mais alto que o da simples ação ou percepção, permitindo que se pense nela por meio de
conceitos, descrevendo-a, evocando-a, antecipando-a. Em segundo lugar, porque permite conviver
socialmente com a consciência da realidade.
Para Franchi (1977) a linguagem não é um dado ou um resultado, mas um trabalho
que dá forma ao conteúdo variável de nossas experiências, trabalho de construção, de retificação
do vivido que, ao mesmo tempo constitui o sistema simbólico mediante ao qual se opera sobre a
realidade e a constitui como um sistema de referências em que aquele se torna significativo.
Figueira (1996) afirmou que o desenvolvimento da linguagem não é cumulativo,
como um aumento quantitativo do repertório lingüístico, mas processual, em que ocorrem
transformações qualitativas no desenvolvimento do processo de reorganização, reconhecendo
como um fato do desenvolvimento as crianças fazerem “uso” de estruturas lingüísticas antes de ter
conhecimento sobre as mesmas.
Segundo Aimard (1986), para se ter uma idéia global da aquisição de linguagem,
seria preciso levar em conta simultaneamente, os fenômenos múltiplos que interferem a cada
momento no progresso da criança, com o que ela percebe, o que ela produz e o que compreende,
e, ao mesmo tempo, descrever os progressos facilmente apreciáveis e os mecanismos que
subentendem as aquisições.
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De acordo com Boone e Plante (1994), a linguagem envolve a interação de muitas
habilidades que se combinam para a comunicação eficaz; estas habilidades são caracterizadas
pelos aspectos constituintes da linguagem. Os autores levantam os seguintes aspectos da
linguagem: sintático, lexical, fonológico, semântico e pragmático.
O aspecto lexical caracteriza as palavras em si, dentro de uma língua e cultura
específicas. O aspecto fonológico determina a programação e execução – articulação – corretas
de determinado léxico. A sintaxe é a ordenação das palavras – léxico – de maneira a determinar
frases inteligíveis, que remetem um significado. O significado da frase está atrelado ao significado
de cada léxico pertencente individualmente e em conjunto; o significado da palavra ou da frase
determinaria o aspecto semântico. Os constituintes lexical, fonológico, sintático e semântico devem
estar atrelados a um contexto funcional, de uso correto, que seria o aspecto pragmático da
linguagem.
Os autores afirmaram que cada aspecto, individualmente, não prediz a linguagem;
esta só existe da união e desempenho correto de todos eles. Qualquer alteração em um destes
aspectos, automaticamente caracteriza uma alteração de linguagem, porém, não necessariamente
exclusiva; uma alteração no constituinte fonológico determinaria uma alteração de fala, ou também
denominada pelos autores, linguagem oral.
Para Bates (1976), a abordagem pragmática à aquisição da linguagem preconiza o
propósito, como um “ato performativo” e o modo de se comunicar, pelo uso dos aspectos suprasegmentares
(altura, volume, duração e pausas).
Van Riper e Emerick (1997) discutiram a importância de a criança estar inserida em
um ambiente encorajador e estimulador para o desenvolvimento da linguagem. De acordo com
estes autores “pelo menos três fatores ambientais são cruciais para se estimular o
desenvolvimento da fala: (1) uma relação positiva sob o ponto de vista emocional com um tutor
que incentive as iniciativas de comunicação da criança; (2) pelo menos um modelo de fala (uma
pessoa) que utilize padrões de linguagem simples, porém bem-formados; e (3) oportunidades para
a exploração e variação das experiências cotidianas que estimulem a necessidade de
comunicação” (VAN RIPER; EMERICK, 1997, p. 91).
Em se tratando da linguagem oral é importante lembrar que são necessárias a
seqüência ordenada e a coordenação de três processos fundamentais: 1) a organização dos
conceitos, sua formulação simbólica e sua expressão; 2) a exteriorização do pensamento pela fala,
com a intervenção de coordenar funções motoras como respiração, fonação, articulação e
prosódia e 3) a programação destas habilidades motoras na produção voluntária dos sons
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individuais da fala e sua combinação para formar as palavras. Alteração de qualquer um destes
processos pode acarretar alterações na comunicação oral (BROWN, 1978).
De acordo com Omote (2001), há uma rede de comunicações interpessoais, entre
pessoas imediata e remotamente presentes no cenário de ocorrência dos relacionamentos. São
nas relações interpessoais que se configuram os quadros de referência para a formação e
manutenção da identidade pessoal e social das pessoas. É essa identidade pessoal e social,
solidamente construída, que assegura a cada pessoa a condição de ser social e ao mesmo tempo
singular e única, condição essa essencial para integridade psicossocial de cada cidadão.
O autor acredita que a demonstração de competência nessas formas de
comunicação assegura a condição de normalidade do indivíduo. Qualquer limitação ou prejuízo na
capacidade de comunicação que a pessoa possa sofrer compromete a possibilidade de
participação integral nas relações interpessoais e, por extensão, nas ações coletivas.Isso condena
a pessoa à descrença e ao isolamento social, na medida em que a pessoa perde os principais
quadros de referência social, seu autoconceito e sua auto-estima encontram-se prejudicados.
Knapp e Hall (1999) discutiram a importância e a preocupação de alguns autores
em compreender como o comportamento humano se processa quando duas pessoas se
comunicam, deixando de se preocupar com a classificação ou rótulo de verbal e não-verbal.
Um modo de situar o estudo seria delimitar o tipo de comportamento a ser
examinado. Isso, por sua vez, nos coloca diante da importante questão, que é a intencionalidade,
ou seja, da plena consciência de que signos emitidos e/ou recebidos têm um propósito particular.
De acordo com Manzini (2001) a idéia inicial que se tem de conceito de
comunicação é que nos comunicamos por palavras, pela fala. Por meio da fala, haveria troca de
informações, sensações, sentimentos. Porém, numa interação face a face, o ser humano exibe
uma infinidade de recursos verbais e não-verbais que se misturam e se completam.
Muitos dos alunos da Educação Especial apresentam severos distúrbios na
comunicação e, neste sentido, o processo de interação acaba ficando comprometido e o professor
não consegue estabelecer estratégias que permitam que o processo de ensino e aprendizagem
possa ocorrer.
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Definindo a Comunicação Alternativa e/ou suplementar
Quando pensamos em discutir a respeito de comunicação suplementar e/ou
alternativa não podemos nos esquecer que é uma das áreas que faz parte da Tecnologia
Assistiva, ou seja, nas mais diferentes culturas através da história as pessoas criaram adaptações
e utilizaram ferramentas e equipamentos especiais para auxiliar as pessoas com necessidades
especiais em suas sociedades.
A tecnologia assistiva engloba áreas como: comunicação suplementar e/ou
alternativa, adaptações e acesso ao computador, equipamentos de auxílio para déficits sensoriais,
adaptações de postura, adaptações de jogos e atividades de brincadeiras nas diferentes situações
como na escola, casa e outros ambientes, permitindo a possibilidade de inclusão social e escolar.
Os estudos de comunicação alternativa e/ou suplementar começaram a ser
desenvolvidos a partir da década de 70, quando se começou a repensar as definições da
deficiência mental, física ou auditiva levando-se em conta que se tratava, também, de grupos
“marginalizados” na sociedade, mas que deveriam participar e poderiam ser capazes.
Comunicação suplementar e/ou alternativa refere-se a todas as formas de
comunicação que possam complementar, suplementar e/ou substituir a fala. Dirige-se a cobrir as
necessidades de recepção, compreensão e expressão da linguagem e, assim, aumentar a
interação comunicativa dos indivíduos não-falantes (VON TETZCHNER; JENSEN, 1996).
De acordo com Thiers (1995); von Tetzchner (1997) e von Tetzchner e Martinsen
(2000) a comunicação alternativa tem como objetivo promover a fala e garantir uma forma
alternativa de comunicação.
Por sua vez Nunes (2001), complementou afirmando que comunicação alternativa
envolve o uso de gestos, expressões faciais, símbolos gráficos (incluindo a escrita, desenhos,
gravuras e fotografias) como forma de efetuar a comunicação de pessoas incapazes de se
utilizarem à linguagem verbal. A comunicação ampliada ou suplementar possui um duplo
propósito: promover e suplementar a fala e garantir uma forma alternativa, caso o indivíduo não
tenha possibilidade de desenvolver a fala.
Segundo Capovilla (1996, 2001) a definição de sistemas suplementares e/ou
alternativos de comunicação seria um conjunto de elementos organizados para sustentar a
comunicação expressiva. Há dois tipos: sistemas sem ajuda: quando mensagens são produzidas
por um membro do corpo e sistemas com ajuda: quando é necessário algo exterior ao corpo para
transmissão da mensagem.
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Pensando no usuário dos recursos e estratégias de comunicação alternativa
Como o professor poderia indicar um aluno a começar a utilizar recursos de
comunicação alternativa?
Seriam os alunos com determinadas deficiências definidas?
Como no caso da paralisia cerebral, afasia, anartrias, alexias e agrafias, distrofia
muscular progressiva, esclerose lateral amiotrófica, deficiência mental entre outros.
Sem o diagnóstico não seria possível pensar no início de um trabalho?
Poder-se-ia argumentar e discutir que os usuários dos sistemas de comunicação
suplementar e/ou alternativa seriam avaliados pelas suas reais possibilidades expressivas, ou
seja, crianças, jovens e adultos que não conseguem falar ou ainda, indivíduos que falam, mas não
são compreendidos por diferentes interlocutores (MANZINI, 2001; DELIBERATO, 2005).
Principais sistemas de comunicação
A literatura a respeito de Comunicação Alternativa tem apontado para uma série de
conjuntos e/ ou sistemas de símbolos que permitem a comunicação de pessoas que não
produzem linguagem oral, como, por exemplo, Sistema “Bliss” (HEHNER, 1980; MCNAUGHTON,
1985), Picture Exchange Communication System-PECS (FROST; BONDY, 1996), Picture
Communication Symbols-PCS (JOHNSON, 1992) e Pictogram- Ideogram Communication-PIC
(MAHARAJ, 1980).
O processo de escolha dos recursos e/ou estratégias de comunicação suplementar
e/ou alternativos a serem utilizados deve ser feito com muita cautela e participação conjunta da
família e da escola. A devida seleção e implementação destes recursos e estratégias poderão
garantir a efetividade da comunicação do usuário não-falante e sua interação em diferentes
ambientes naturais (DELIBERATO; MANZINI, 1997; NUNES, 2003).
Para Reily (2004), a família deve ser envolvida no processo de decisão sobre o
sistema mais conveniente para determinado momento, devendo participar da identificação do
léxico essencial a compor a prancha de comunicação.
A decisão dos materiais pode estar vinculada desde o uso de objetos, figuras, fotos
até os sistemas de símbolos já organizados, como os citados acima, além do uso dos gestos,
língua de sinais e a escrita (MANZINI; DELIBERATO, 2004).
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Os sistemas de comunicação podem ser de alta tecnologia como no caso do uso de
computadores, máquinas que sintetizam sons, tabuleiros sonoros e de baixa tecnologia como o
uso dos sistemas em tabuleiros e pranchas confeccionados em papel.
Os dois principais sistemas de comunicação alternativa são: o Sistema Bliss de
Comunicação e o Sistema Pictográfico de Comunicação.
O sistema Bliss de Comunicação foi desenvolvido de 1942 a 1965 por Charles K.
Bliss e baseava-se na filosofia de Leibinitz, buscava criar uma linguagem que ultrapassasse
diferenças de línguas. Em 1971 Mcnaughton utilizou–o com indivíduos com severos distúrbios de
linguagem, adaptando o sistema e alguns de seus símbolos. O sistema é composto por símbolos
gráficos, coloridos e derivado de um número básico de figuras geométricas.
Há certa diversidade quanto à classificação dos símbolos, ou seja, os pictográficos
são os que se assemelham ao objeto que representam; idiográficos – cujas formas sugerem o
conceito que representam; dupla classificação; possuem características pictográficas e/ou
idiográficas; e por último, símbolos arbitrários: quando a forma não tem relação direta convencional
com o seu significado (HEHNER, 1980).
O segundo sistema é o Picture Communication Symbols. Foi desenvolvido por
Roxana Mayer no EUA, em 1981. Possui desenhos bidimensionais, constituindo relação idêntica
com o objeto a que se refere. Inclui alfabeto e números além de permitir o uso de fotos. Algumas
palavras têm dois ou mais pictogramas correspondentes, o que permite ao usuário escolher o
símbolo mais próximo de seu contexto.
Devido a sua configuração, basicamente formada por desenhos que indicam
substantivos, pronomes, verbos e adjetivos, o nível de dificuldade de abstração é menor por parte
do usuário sendo por isso, também, indicado para crianças menores.
O nível de iconicidade desse instrumento é maior em relação ao sistema de
comunicação Bliss. Isso ocorre porque o Picture Communication Symbols é um tipo de sistema
pictorial que apresenta uma relação dialógica e contínua com os seus referentes comunicando
conceitos concretos e imagináveis de modo não ambíguo o que possibilita que o emissor e o
receptor não falem a mesma língua (JOHNSON, 1981, 1985, 1992).
A composição das cores do sistema Bliss e do Picture Communication Symbols é
distribuída da seguinte forma: Figuras sociais – cor rosa (contorno ou fundo); Figuras de pessoas –
cor amarela (contorno ou fundo); Figuras de verbos – cor verde (contorno ou fundo); Figuras
descritivas (adjetivos e advérbios) – cor azul (contorno ou fundo); Figuras miscelâneas: cor branca;
Figuras de substantivos: cor laranja. As cores podem auxiliar significativamente a rápida
localização dos símbolos.
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Cuidados nos procedimentos de seleção e implementação de recursos
Durante o processo de avaliação, seleção e implementação de recursos de
comunicação suplementar e/ou alternativa alguns cuidados são necessários procurando identificar
as habilidades do aluno não-falante. Neste sentido, o professor e demais profissionais devem estar
atentos:
Como o aluno se comunica, ou seja, ele vocaliza, utiliza gestos, olhares,
expressões faciais etc.
Com quem ele se comunica?
O que ele comunica? E em quais situações?
Quais são suas habilidades visuais e auditivas?
Qual a sua atitude frente à comunicação?
Quais são as habilidades motoras? (função global e fina, mobilidade, postura
etc).
Quais os recursos já utilizados para a comunicação?
Quais são os parceiros de comunicação?
Qual a rotina do aluno?
Quais são os centros de interesse?
Quais as tarefas a serem realizadas.
Durante o processo de avaliação é importante estar atento ao tempo de atenção dos
usuários assim como ao cansaço demonstrado nas atividades.
No momento de avaliação devemos respeitar as etapas de aprendizagem de
símbolos: objeto real, miniatura, fotografias, desenhos coloridos, desenho em preto e branco,
símbolos gráficos e por fim a escrita.
Durante a avaliação do aluno a participação da família, escola e/ou instituição é de
fundamental importância para o levantamento das situações funcionais, ou seja, do vocabulário
inicial a ser desenvolvido no momento da confecção do recurso. Neste contexto é importante
destacar:
· A seleção do vocabulário é constante.
· O objetivo do recurso deve direcionar a escolha do vocabulário.
· O número de símbolos deve variar de acordo com a habilidade do sujeito.
· Os símbolos selecionados devem ser funcionais.
· A participação da família é imprescindível nesse momento.
· O recurso pode e deve ser alterado de acordo com a necessidade do sujeito.
· O recurso poderá ser confeccionado por meio de frases e/ou tópicos.
· O formato do recurso varia de acordo com as possibilidades e interesse do
sujeito.
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Alguns cuidados no momento da confecção do recurso de comunicação suplementar e/ou
alternativa
Durante a confecção e adaptações dos materiais de comunicação suplementar e/ou
alternativa a literatura tem discutido alguns cuidados:
O tabuleiro, pasta, prancha podem ser confeccionado com o sujeito,
principalmente quando o aluno apresentar deficiência mental.
Iniciar a confecção das fotos e ou figuras a partir do vocabulário funcional.
Cada figura deve ser trabalhada e vivenciada antes da colagem.
O local da colagem deve ser orientado, mas não determinado pelo profissional.
Quando o profissional confecciona a prancha sem a participação do usuário ela
deverá ser vivenciada pelos diferentes parceiros comunicativos.
O uso do recurso deve envolver os diferentes parceiros de comunicação: escola,
família e demais pessoas.
Os recursos de baixa tecnologia podem estar organizados em diferentes
dispositivos como: cartões, pranchas, pranchas de olhar, pastas, coletes,
aventais, colares, livros, fichários e outros.
As pranchas de comunicação podem ser construídas utilizando-se objetos ou
símbolos, letras, sílabas, palavras, frases ou números.
As pranchas são personalizadas e devem considerar as possibilidades
cognitivas, visuais e motoras de cada usuário.
As pranchas podem estar soltas ou agrupadas em álbuns ou cadernos.
O acesso poderá ser feito pelo olhar, apontar ou ser indicada pelo parceiro de
comunicação.
TÉCNICAS DE SELEÇÃO DOS SÍMBOLOS
São as formas pela qual o usuário escolhe os símbolos na prancha de
comunicação. É importante determinar a forma de seleção mais eficiente para cada indivíduo.
Neste sentido, a participação de outros profissionais, como o terapeuta ocupacional, é muito
importante. Neste momento deve ser escolhido o posicionamento ideal da prancha e do usuário.
As técnicas de seleção segundo Suárez et al (2003) são:
1. Seleção direta: é o método mais rápido e pode ser feito pro meio de apontar com
o dedo ou outra parte do corpo, com uma ponteira de cabeça ou uma luz fixada
à cabeça.
2. Técnica de seleção pelo olhar: geralmente utilizada pelos indivíduos com
severas alterações motoras.
3. Técnica de seleção por varredura: exige que o usuário tenha uma resposta
voluntária consistente como piscar os olhos, balançar a cabeça, sorrir ou emitir
um som para que possa sinalizar a resposta. Os métodos de varredura podem
ser linear, circular, de linhas e colunas ou em grupos.
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4. Técnica da codificação: permite a ampliação de significados a partir de um
número limitado de símbolos e o aumento de velocidade. Utilizada com alunos
com severos distúrbios motores, mas envolve um maior grau de abstração.
CUIDADOS NAS ESTRATÉGIAS SELECIONADAS PARA O USO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
O ambiente deve ser o mais natural possível, ou seja, deve demonstrar a utilidade
do recurso no dia-a-dia do aluno. Neste sentido, preparar procedimentos em situações de
vivencias são fundamentais, como por exemplo: preparar um bolo, pipoca, ir à padaria etc.
O sistema de comunicação vai ser mais eficiente no momento em que os
profissionais estiverem atentos nas diferentes técnicas utilizadas: gestos, linguagem de sinais,
vocalizações, expressões faciais.
Os símbolos e as pranchas podem ser elaborados para uma atividade específica ou
mesmo para um jogo. Nestas situações devem-se colocar rótulos nos objetos, seqüência de
cartões para uma determinada atividade durante a rotina, receitas e livros adaptados etc.
CONCLUSÕES
As ações inclusivas escolares e sociais para os alunos deficientes não-falantes
requerem a participação conjunta dos profissionais da saúde e da educação. A elaboração de um
programa de atuação pode favorecer uma maior e melhor participação dos alunos deficientes nas
diferentes situações de ensino e aprendizagem acadêmica e favorecer oportunidade para a
inclusão social em diferentes ambientes com distintos interlocutores.
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O Mestre e o Computador? Uma combinação no ensinar e a aprender

O Mestre e o Computador? Uma combinação no ensinar e a aprender.
Cursista: Zezinho Torquato Fernandes
Município: Palhoça
Data: 28/04/2013
Com o passar dos anos, devido ao aumento das tecnologias de comunicação virtual, as tecnologias estão criando força e oferecendo desafios as pessoas que por falta de tempo as vezes deixam de se qualificarem, neste sentido o ensino a distância os professores buscam uma forma bastante significativo solucionando muitos problemas, onde muitos estudantes enfrentam na sociedade. O computador a partir de um mestre abrem as portas para muitos.
Cada vez mais as pessoas estão se descobrindo dando mais valor aos meios de comunicações, principalmente as máquinas interligadas no cérebro das pessoas, indo a busca de qualificação, um meio mais facilitador sem ter que saírem de suas casas. Os usuários utilizam esses tipos de ferramentas, onde o mestre planeja o curso a distância pensando na possibilidade de conquistar mais pessoas acreditarem na formação a distância.
Atualmente o ensino a distância, visa a importância da leitura, da pesquisa, podendo qualquer usuários frequentar a uma educação a distância de qualidade. E de acordo com a teoria de Roges, “ uma pessoa interessada em aprender busca o conhecimento”. Pois a troca de conhecimento entre o professor e o aluno servirá como  enriquecimento do processo ensino aprendizagem.
Este tipo de aprendizagem requer do aluno uma organização de seu tempo, tendo que superar muitas barreiras e conquistando sua inteligência por meio da máquina, vindo a provocar grande ansiedade e dúvidas diante da leitura, mas o mestre interligado fornece estratégias facilitadoras se o aluno tiver interligado ao metre por meio do computador.
A base da aprendizagem, de Carlos, “torna-se uma constante entre os profissionais da educação, que, interessados na influência significativa da informática na mudança de comportamento humano, buscam o desafio e passam a compreender o significado desse processo.” Aliados deste processo o professor passará a respeitar a busca do conhecimento pelo próprio aluno e concentrará na formação de atitudes, através do respeito mútuo, o seu papel de acompanhante do processo de ensino aprendizagem.

Portanto, este método de ensino a distância dependerá muito mais dos cursistas, são os próprio interligados na informação passada pelo mestre, a partir do conteúdo selecionado é de responsabilidade de cada um se comprometer com o ensino interligado a máquina junto ao mestre aquele que passa as informações e o aluno aquele que contribuí no aprendizado.

EDUCAÇÃO ESPECIAL

Educação Especial

A Educação Especial é uma modalidade da educação escolar, entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam algum tipo de deficiências, que busca promover o acesso no ensino comum perpassando em todas as etapas e modalidades da educação básica.

Por outro lado, é o ramo da educação que se ocupa do atendimento e da educação de pessoas com deficiência em instituições especializadas, tais como escolas para surdos, escolas para cegos ou escolas para atender pessoas com deficiência mental. 

CONTRIBUIÇÕES PARA UMA PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO ON-LINE

CONTRIBUIÇÕES PARA UMA PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO ON-LINE
Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
Artigo meu, publicado no livro organizado por SILVA, Marco. Educação online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa.
São Paulo: Loyola, 2003. p. 39-50.
jmmoran@usp.br


Resumo
A educação on-line pode ser definida como o conjunto de ações de ensino-aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos, como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação on-line nos traz questões pedagógicas específicas com desafios novos para a educação a distância e para a presencial. Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos que utilizam uma tecnologia (Internet, videoconferência, teleconferência) e outros que integram várias tecnologias. Para cursos com grandes grupos, o processo de organização do ensino-aprendizagem on-line é muito mais complexo do que o que realizamos no presencial, exigindo uma logística nova, que está sendo testada com mídias telemáticas pela primeira vez. Os papéis do professor se multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades.
Palavras-chave: Novas tecnologias, Pedagogia, Educação a distância.



Educação on-line pode ser definida como o conjunto de ações de ensino-aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos, como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação on-line acontece cada vez mais em situações bem amplas e diferentes, da educação infantil até a pós-graduação, dos cursos regulares aos cursos corporativos. Abrange desde cursos totalmente virtuais, sem contato físico - passando por cursos semi-presenciais - até cursos presenciais com atividades complementares fora da sala de aula, pela Internet. A educação on-line não equivale à educação a distância. Um curso por correspondência é a distância e não é on-line. Por outro lado, não podemos confundir a educação on-line só com cursos pela Internet e somente pela Internet no modo texto.
A educação on-line está em seus primórdios e sua interferência se fará notar cada vez mais em todas as dimensões e níveis de ensino. Com o avanço da telemática, a rapidez de comunicação por redes, a facilidade próxima de ver-nos e interagir a distância, a educação on-line ocupará um espaço central na pedagogia nos próximos anos.
A educação on-line nos traz atualmente questões específicas com desafios novos. Ela é utilizada em situações onde o presencial não dá conta, ou levaria muito tempo para atingir um número grande de alunos em pouco tempo, como, por exemplo, quando precisamos capacitar milhares de professores em serviço, que não possuem nível  superior. É difícil organizar cursos presenciais simultaneamente para 7 mil professores. O uso de videoconferência, Internet e sala de aula permitiu que a  USP, PUCSP e UNESP realizassem essa tarefa recentemente, a distância, em todo o Estado de São Paulo [1] . E essas situações nos obrigam a pensar em processos pedagógicos que compatibilizem a preparação de materiais e atividades adequados, a integração de vários tipos de profissionais envolvidos (professores autores, professores orientadores, professores assistentes e tutores), a combinação de tempos homogêneos e flexíveis, da comunicação em tempo real e em momentos diferentes [2] , as avaliações presenciais e a distância. É um processo muito mais complexo do que o que realizamos no presencial, porque exige uma logística nova, que está sendo testada com mídias telemáticas pela primeira vez. É muito tênue a linha que separa os cursos de massa com qualidade e os cursos de massa de baixo nível.
Alguns cursos por teleconferência [3] estão procurando criar formas de interação on-line cada vez mais avançadas e combiná-las com outros espaços e tempos complementares, num local próximo dos alunos [4] . A combinação do broadcast [5] com algumas ferramentas da comunicação on-line e off-line [6] , principalmente via Internet, é um dos caminhos mais promissores para o avanço da educação a distância e permite, ao menos em teoria, valorizar o melhor da transmissão para muitos grupos e novas formas de interação.
A educação on-line também está começando a trazer contribuições significativas para a educação presencial. Algumas universidades integram aulas presenciais com aulas e atividades virtuais, flexibilizando tempos e espaços, ampliando os espaços de ensino-aprendizagem até agora praticamente confinados à sala de aula. O currículo pode ser flexibilizado, segundo a portaria 2253 do MEC, em 20% da carga total. Algumas disciplinas estão sendo oferecidas total ou parcialmente a distância. O vinte por cento é uma  etapa inicial de criação da cultura on-line. Mais tarde, cada universidade irá definir qual é o ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual em cada área do conhecimento.
Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos unitecnológicos e outros com múltiplas tecnologias. Muitos desses cursos simplificam o processo pedagógico, se preocupam pouco com a construção do conhecimento, são massificadores, só visam o lucro fácil.
Com a educação on-line, com o avanço da velocidade de conexão pela Internet, pela TV digital e pelo celular de terceira geração, teremos tanto a massificação semelhante à de boa parte dos cursos superiores presenciais como novas formas interessantes de aprender continuamente, presencial e virtualmente; teremos materiais prontos focados no professor e outros em contínua construção, com intensa participação dos alunos.  É ainda prematuro definir padrões pedagógicos na educação a distância, porque estamos em fase de experimentação de vários modelos, formatos, que também afetam ao ensino presencial.

Os múltiplos papéis do educador on-line
Com a educação on-line os papéis do professor se multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades. Em uma parte dos cursos on-line continuamos com as aulas presenciais regulares, acrescentando algumas atividades complementares a distância. Em outros, as aulas são presenciais, mas há uma incidência maior de atividades virtuais, que podem liberar os alunos de alguns encontros presenciais previstos anteriormente. Em outros cursos só temos um ou dois encontros presenciais e a maior parte das aulas e atividades é feita a distância. Finalmente, organizamos cursos em que o professor não mantém contato físico com os alunos e todas as atividades são realizadas basicamente pela Internet.
O professor alterna cursos on-line com um número de alunos semelhante ao das aulas convencionais com outros com trezentos, quinhentos ou vários milhares de alunos, onde ele gerencia uma equipe de professores assistentes e monitores, que por sua vez  atendem a turmas menores de alunos. Em determinados cursos o professor é somente um autor, não participa diretamente do andamentos dos cursos. Mesmo como autor, o conteúdo é tratado e editado por uma equipe para dar o tratamento específico para as mídias e o perfil do público. O professor participa de formas diferentes e exerce papéis diferentes em diferentes situações que se lhe apresentam na educação on-line.
O professor on-line precisa aprender a trabalhar com tecnologias sofisticadas e tecnologias simples; com Internet de banda larga e com conexão lenta; com videoconferência multiponto e teleconferência; com softwares de gerenciamento de cursos comerciais e com softwares livres. Ele não pode acomodar-se, porquea todo momento surgem soluções novas e que podem facilitar o trabalho pedagógico com os alunos. Soluções que não podem ser aplicadas da mesma forma para cursos diferentes.
O professor on-line cada vez será mais solicitado por outras instituições acadêmicas e corporativas para participar em um módulo ou parte de um curso, muitas vezes distante do local físico onde se encontra. Em determinados cursos poderá criar comunidades de aprendizagem, com grande interação e enfatizando a construção grupal do conhecimento. Em outros cursos lhe será pedido que interaja o mínimo por uma questão de diminuir custos, de padrão da instituição ou da coordenação. Em alguns cursos poderá pensar em vídeos, apresentações complexas e câmeras para visualizar e interagir com os alunos, como videochats, enquanto em outros receberá a orientação de não utilizar o chat por ser dispersivo ou de focar mais o texto impresso e utilizar a Internet como mídia complementar, pela dificuldade de acesso de uma parte significativa dos seus alunos. Ele precisa ter flexibilidade para adaptar-se a situações muito diferenciadas e ter sensibilidade para escolher as melhores soluções possíveis para cada momento.
O professor on-line está começando a aprender a trabalhar em situações muito diferentes: com poucos e muitos alunos, com mais ou menos encontros presenciais, com um processo personalizado (professor autor-gestor) ou mais despersonalizado (separação entre o autor e o gestor de aprendizagem). Quanto mais situações diferentes experimente, melhor estará preparado para vivenciar diferentes papéis, metodologias, projetos pedagógicos, muitos ainda em fase de experimentação.

Hoje temos questões pedagógicas novas que o avanço das tecnologias de comunicação nos colocam na educação on-line e sobre as quais ainda precisamos de avaliação mais cuidadosa.
É difícil definir uma metodologia adequada para cada tipo de curso on-line. É relativamente fácil aprender a gerenciar cursos on-line que reproduzem as condições da sala de aula convencional, os que têm um professor para uma média de 40 alunos e que começam e terminam em datas específicas. Neles transferimos para o virtual as concepções pedagógicas das aulas presenciais. Os professores centralizadores, que se colocam como os que conhecem, organizam o curso a partir de textos e atividades que reforcem o papel principal do professor; outros docentes que possuem uma visão mais participativa do processo educacional estimulam a criação de comunidades, a pesquisa em pequenos grupos, a produção individual e coletiva. Temos programas gratuitos  como o AulaNetou o Teleduc que facilitam a colocação de textos, a organização de atividades no  ambiente virtual para professores e alunos sem muito conhecimento tecnológico prévio.
Como a educação a distância permite formar múltiplas turmas simultaneamente, o gerenciamento dessas situações novas exige planejamento, equipe pedagógica competente e multidisciplinar e a aprendizagem de metodologias e utilização de tecnologias ainda pouco conhecidos. Em educação on-line temos cursos que são, como no presencial, de aprendizagem de habilidades específicas, cursos de atualização profissional. Esses cursos podem ter uma proposta pedagógica mais “empacotada”, mais programada e podem admitir alunos a qualquer momento, sem data definida para começar e terminar.
Existem outros cursos que são de formação, normalmente de longa duração, como os de graduação. Neles, a organização pedagógica tem que ser muito mais cuidadosa. É importante criar classes que mantenham identidade ao longo do curso, que tenham seu professor responsável ao longo dos anos, e que equilibrem a transmissão de informação com atividades de pesquisa em grupo e individualmente, construindo o conhecimento de forma flexível e participativa.
Com o avanço da comunicação por satélite podemos abrir tele-salas em todo o Brasil ou em toda a América Latina simultaneamente. Uma mesma aula poderia estar sendo vista por milhares de alunos em centenas de tele-salas, ao vivo, e com alguma interação: perguntas por e-mail, por áudio-conferência ou por câmera remota podem ser feitas e o professor responder as que lhe pareçam mais relevantes. O professor pode fazer uma avaliação instantânea da compreensão da aprendizagem e ter um retorno imediato da porcentagem de alunos com dúvidas em determinados pontos da aula e pode rever esses pontos ao vivo para milhares de alunos.
Se tecnologicamente podemos colocar milhares de alunos simultaneamente, do ponto de vista pedagógico qual é o limite razoável para que o aluno aprenda?. Esta é uma situação que enfrentaremos cada vez com mais freqüência. Vários cursos de nível superior têm experiência em utilizar quatro salas de aula simultaneamente com até cinqüenta alunos em cada sala, com videoconferência multiponto ou salas de teleconferência com alguma interação em tempo real. Isso dá uma média de 180 a 200 alunos conectados simultaneamente. Pelas observações que tenho feito, me parece possível realizar um bom trabalho com esse número de pessoas, se houver um bom planejamento das aulas,  das atividades e uma boa comunicação do professor. Também é importante ter um monitor em cada sala para organizar os grupos locais, para preparar os alunos para alguma pesquisa inicial antes de uma aula expositiva, para organizar as questões e encaminhá-las para o professor na aula ao vivo e para complementar a interação posteriormente. É possível ampliar esse número de alunos em determinadas situações: por exemplo para aulas magnas com grandes especialistas e que depois poderão ser debatidas, adaptadas para grupos menores por professores assistentes e monitores.
Algumas instituições pensam a aula on-line por teleconferência como o único momento importante do processo de ensino-aprendizagem, replicando o conceito de aula que existe no presencial. Penso que uma das formas predominantes nestes próximos anos será a combinação de aulas por vídeo, teleconferência ou pela Internet com atividades em pequenos grupos e individuais feitas antes e depois das aulas, parte on-line e parte off-line.
Estamos caminhando para um conjunto de situações de educação on-line plenamente audiovisuais. Caminhamos para processos de comunicação audiovisual, com possibilidade de forte interação, integrando o que de melhor conhecemos da televisão (qualidade da imagem, som, contar estórias, mostrar ao vivo) com o melhor da Internet (acesso a bancos de dados, pesquisa individual e grupal, desenvolvimento de projetos em conjunto, a distância, apresentação de resultados). Tudo isto exige uma pedagogia muito mais flexível, integradora e experimental diante de tantas situações novas que começamos a enfrentar. Não podemos confundir a educação on-line só com cursos pela Internet e somente pela Internet no modo texto.
Estamos aprendendo a desenvolver propostas pedagógicas diferentes para situações de aprendizagem diferentes. As instituições sérias, mesmo quando têm muitos alunos, encontrarão formas de organizá-los para que consigam aprender com qualidade. As instituições que só buscam o lucro, organizarão cursos prontos, com pouca interação e apoio, massificando o processo de ensino-aprendizagem, como acontece também no presencial.

Existem dificuldades sérias na aceitação da educação on-line. A primeira é o  peso da sala de aula. Desde sempre aprender está associado a ir a uma sala de aula e lá concentramos os esforços dos últimos séculos para o gerenciamento da relação entre ensinar e aprender. O modelo cultural e burocrático predominante nas organizações educacionais exerce também um peso avassalador na inércia frente a necessidade de inovar. Tudo é planejado ou decidido de cima para baixo. Os prédios, os currículos, a contratação de professores são feitos em função do atrelamento (muitas vezes, confinamento) a salas de aula.
Os professores aprenderam como alunos a relacionar-se com o modelo convencional de ensinar-aprender dentro de um espaço bem específico que é a escola e dentro dela a sala de aula. O papel principal que os professores assumem ainda é o de responsáveis por uma determinada área do conhecimento e insistem em utilizar predominantemente métodos expositivos com alguma (pouca) interação. Os alunos, por sua vez, estão acostumados a ficar ouvindo, em geral, passivos, o que os professores falam e esperam da universidade ou escola que lhes tragam em bandeja as informações prontas. Nas faculdades particulares é freqüente ouvir: “Eu pago, eu quero que me ensinem” e reclamam quando o professor exige mais pesquisa e trabalho em grupo.
Ambos, professores e alunos, constatam a inadequação desse modelo. Muitos intelectualmente sabem que precisam mudar. É freqüente o discurso da participação, da mudança, mas, na prática, no dia a dia, muitos ainda permanecem aferrados aos modelos tradicionais, até porque não existem muitas experiências inovadoras perto de onde eles lecionam. Por todos esses fatores, é difícil manter a motivação de forma permanente.
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que esteja brilhantemente produzido, correm o risco dadesmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato ou por um telefonema eventual, que é mais direto, mas num curso a distância encarece o custo final.
Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensável para os processos de aprendizagem a distância. O aluno desorganizado vai deixando passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e pode sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalha sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que cria tensão ou indiferença. Esses alunos pouco a pouco vão deixando de participar, de produzir e muitos têm dificuldade, a distância, em retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos, do professor, pode ajudar a voltar a participar do curso. Á distância é possível, mas não fácil.
A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Os cursos hoje – principalmente os de formação – convêm que sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.

Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos com professor e sem professor; cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos unitecnológicos e outros com múltiplas tecnologias, cursos em parte presenciais e cursos totalmente a distância, cursos de formação e cursos de atualização. Para cada curso podemos formular estratégias de ensino-aprendizagem específicas.
Temos cursos totalmente presenciais que utilizam algumas ferramentas de pesquisa e/ou comunicação on-line para algumas atividades complementares. O foco principal é a sala de aula, mas o professor cria uma lista de comunicação por e-mail ou uma página WEB, ou abre um fórum para debates virtuais. Cada vez mais as disciplinas de cursos presenciais incorporam ferramentas e atividades virtuais. Se o curso presencial é participativo, o virtual amplia essa participação. Se o curso presencial é centrado no professor, as atividades virtuais podem diminuir um pouco esse foco, mas no essencial não o modificam.
Em cursos presenciais podemos ter disciplinas parcialmente a distância. Freqüentamos algumas aulas presenciais e as intercalamos com atividades virtuais. A proporção de presença e on-line pode variar de uma disciplina para outra. Em algumas podemos ter vinte por cento on-line, em outras metade e metade, enquanto outras podem ter oitenta por cento ou ser totalmente on-line.
Em cursos a distância ainda estamos influenciados pelos modelos tradicionais das grandes universidades como a Open da Inglaterra ou a UNED, da Espanha, que na década de oitenta e nova estavam muito centrados no conteúdo impresso, auto-instrucional, com apoio local. Algumas instituições brasileiras copiam hoje esse modelo, focando o material impresso ou digital. Criam cursos prontos, sem professor, com avaliação corrigida pelo próprio programa.
Outras instituições focam as tecnologias que multiplicam o conceito de aula presencial como a vídeo ou teleconferência. Vêem as aulas centradas no professor, com o poder de atingir mais alunos simultaneamente. Nestes últimos anos, com o avanço da Internet, começam a combinar aulas ao vivo por vídeo ou teleconferência com atividades off-line via Internet. O avanço maior foi na educação a distância on-line, no desenvolvimento de cursos pela Internet ou Intranet. Como a Internet combina a possibilidade de divulgar conteúdo com interação on e off-line a um custo menor, muitas universidades e empresas estão focando a educação a distância utilizando essa mídia preferencialmente.
Encontramos vários modelos de cursos pela Internet.
1) Cursos focados no conteúdo, conteúdo pronto e alguma interação via e-mail, listas ou fórum, que não ultrapassa vinte por cento da duração. São os predominantes até agora, porque são mais baratos e rentáveis. Desenvolveram-se mais até agora na área corporativa (cursos de e-learning, de treinamento on-line).
2) Cursos  que equilibram conteúdo e interação. Os professores preparam o conteúdo, que fica disponibilizado na Internet e depois desenvolvem atividades de pesquisa e comunicação com os alunos, o que toma aproximadamente metade do tempo do curso. Uma parte do conteúdo está pronta e outra é construída ao longo do seu desenvolvimento.
3) Cursos que focam mais a interação que o conteúdo, que se preocupam em formar comunidades de aprendizagem que constroem em conjunto o conhecimento e contribuem decisivamente para o sucesso do curso. No Brasil podemos citar, entre outros, como pioneira da educação on-line construtivista a Professora Lea Fagundes, do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [7] e a equipe do programa de Pós-graduação em Informática na Educação da mesma universidade. Outro grupo importante na pesquisa e desenvolvimento de ambientes virtuais é o NIED – Núcleo de Informática Educativa - da Unicamp, coordenado pelo Professor Armando Valente [8] . Atualmente o Programa de Pós-Graduação em Educação e Currículo da PUC-SP está desenvolvendo um bom trabalho de pesquisa e realização de cursos on-line, principalmente na formação de professores [9] . Merece destaque também  a reflexão e prática doProf. Wilson Azevedo no gerenciamento de cursos on-line de forma cooperativa [10] .
Entre os autores estrangeiros sobre educação on-line destaco  Robin Mason, professora do Institute of Educational Technology da Open University [11] e também Rena PALLOFF e  Keith PRATT pelo livro Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line [12] . Este texto resume a forma com que encaram a educação on-line:
“Uma comunidade de aprendizagem on-line é muito mais que apenas um instrutor interagindo mais com alunos e alunos interagindo mais entre si. É, na verdade, a criação de um espaço no qual alunos e docentes podem se conectar como iguais em um processo de aprendizagem, onde podem se conectar como seres humanos. Logo eles passam a se conhecer e a sentir que estão juntos em alguma coisa. Eles estão trabalhando com um fim comum, juntos”. [13]

Uma proposta pedagógica para cursos semi-presenciais pela Internet
Do ponto de vista didático, podemos valorizar o melhor  do presencial e o do virtual. O que fazemos melhor ou mais rapidamente quando estamos juntos numa sala de aula? É mais fácil conhecer-nos, criar laços, mapear os grupos, as pessoas. É mais fácil organizar o processo de ensino-aprendizagem, a seqüência de leituras, atividades, pesquisas individuais e de grupo, o cronograma, a metodologia. É mais fácil também que o professor ajude os alunos a ter as referências iniciais de um tema, o estado da arte de um assunto, os cenários de uma pesquisa.
Depois desses contatos pessoais, podemos ir ao virtual e aí aproveitar as vantagens que nos propicia. A flexibilidade de tempo e lugar para acessar. Cada um acessa o curso compatibilizando-o com as demais atividades pessoais e profissionais. Além dessa liberdade de organização e de acesso, podemos no virtual desenvolver atividades de pesquisa individual e em pequenos grupos. Cada grupo pode ter seu próprio espaço de comunicação para eventuais trocas de resultados, antes de divulgá-los para toda a classe. Podemos discutir alguns textos, fazer comentários num fórum ou em alguns momentos em um chat ou sala de bate-papo. Podemos tirar dúvidas com algum professor ou assistente sem ter que ir pessoalmente a um lugar. Podemos divulgar os resultados das pesquisas individuais e grupais em algum espaço da página do curso e aprendermos juntos. E depois podemos voltar a encontrar-nos fisicamente para aprofundar os resultados obtidos no virtual, fazer as sínteses possíveis e encaminhar uma nova etapa  de aprendizagem, sempre envolvendo os alunos, com prática, leitura e reflexão.
Não podemos perder de vista, a integração dos dois espaços – presencial e o virtual - e de fazer transições suaves entre ambos. Provavelmente necessitaremos de encontros mais freqüentes no começo de um curso e depois podemos espaçá-los à medida  que sintamos mais confiança, conhecimento das pessoas e dos procedimentos didáticos.
Diante desse perfil planejamos as atividades, as leituras, o formato do curso, as ações inovadoras e a integração das tecnologias. Selecionamos as ferramentas que vamos utilizar e as personalizamos. Colocamos a estrutura do curso, os temas principais, uma biblioteca virtual com os links principais comentados. Preparamos os textos básicos que vão sendo colocados conforme o andamento do curso. Consideramos importante planejar o curso como um todo e, ao mesmo tempo, estar atentos às situações concretas que se apresentam em cada grupo, para incorporar o que nos pareça mais válido, para valorizar as qualidades dos alunos, para interagir efetivamente ao longo do seu andamento.
Procuramos ter uma sala de aula o mais rica possível de tecnologias: computador e multimídia para apresentação e ponto de Internet para acesso on-line. Isso nos permite uma grande flexibilidade na passagem de um momento de apresentação de idéias, para outro de ilustração, de pesquisa, de contribuições dos alunos. Se um aluno conhece um texto ou site interessante, vai lá e o mostra diretamente à classe. Esse clima cordial e otimista contagia à maior parte dos alunos e os predispõe a colaborar mais, a dar o melhor de si.
Como uma parte do curso vai acontecer no ambiente virtual, mostramos esse ambiente ao vivo, onde estão os textos, o espaço de colaboração, o que facilita a navegação dos alunos depois.
É importante também orientar o processo de pesquisa, tanto do ponto de vista metodológico como tecnológico (como fazer pesquisa na Internet). Assim é mais simples realizar pesquisas orientadas, no virtual.
As primeiras aulas também podem ser utilizadas para organizar os alunos em equipes, em grupos de pesquisa, de projetos. Assim poderemos orientá-los melhor a distância.
Quando propomos flexibilizar o tempo presencial e virtual damos mais importância ao estarmos juntos. Nada supera a presença física. O virtual é um pálido reflexo das possibilidades de contato e intercâmbio que o presencial propicia e que exploramos pouco. O virtual é mais “cômodo”, facilita o acesso a distância, a comunicação em qualquer momento sem sair do nosso espaço profissional ou familiar. Mas é uma interação muito pobre comparada com a de estarmos juntos.
Como até agora a aprendizagem é feita basicamente de forma presencial, não lhe damos valor. Em cursos semi-presenciais, se demoramos muito para retornar à sala de aula, há uma expectativa maior pelo reencontro, um desejo de ver-nos, de estar juntos, de colocar em comum nossas impressões. A flexibilização curricular re-valorizará a importância de aproveitar os momentos de presença física.
Depois das primeiras aulas presenciais, podemos marcar uma primeira leitura virtual de um texto e o início da primeira pesquisa. Os alunos lêem o texto, colocam suas observações no fórum. Voltamos ao presencial, aprofundamos as questões que apareceram no fórum e vamos dando mais tempo para o virtual, vamos espaçando mais os encontros, de acordo com a maturidade da turma, com o tipo de assunto. Como orientação pode-se fazer a primeira aula virtual curta e depois manter uma relação de duas por uma: uma presencial e duas virtuais. No virtual pode-se manter uma parte do tempo ocupado em compreensão de textos fundamentais. Os resumos vão para o fórum. As questões principais são resumidas pelo professor e se marca um encontro virtual em tempo real (chat) para aprofundar algumas das questões do fórum. Os alunos fazem suas pesquisas sobre o mesmo tema, as colocam na página e as aprofundam no próximo encontro presencial.
Algumas atividades no chat são para tirar algumas dúvidas, onde quem quiser coloca alguma questão em relação ao texto projeto e o professor procura orientá-lo. Em outros momentos, organizamos grupos para discutir um tema bem específico dentro de cada sala de aula virtual, com a supervisão do professor.
Cada experiência virtual on-line tem o seu valor. Tirar dúvidas pode ser útil, se o grupo for disciplinado e não muito numeroso. Os nomes dos alunos e do professor aparecem em um canto da tela e todos sabem quem entra, sai ou permanece lá. Discutir um texto ou questão em pequenos grupos em salas virtuais é interessante. Corresponde à discussão feita em grupos numa sala de aula presencial. Através da lista de discussão ou fórum o professor organiza os grupos com seus coordenadores e salas respectivas e discutem o texto ou assunto indicado durante um tempo determinado. O professor navega pelas várias salas, acompanha a discussão, participa quando percebe que é conveniente. Essa conversa de cada grupo fica registrada para acesso posterior de qualquer aluno na hora que ele quiser. É importante que cada grupo faça uma síntese do que foi discutido para facilitar o próprio trabalho de aprendizagem e de quem acessar depois. Essa síntese pode ser colocada também no fórum para dar-lhe mais visibilidade.
É conveniente ter um assistente para acompanhar no gerenciamento do chat. A seqüência de perguntas e respostas é muito rápida. Ele se envolve mais com as respostas imediatas e o professor fica observando mais o ritmo, o movimento e faz rápidas sínteses ou colocações em menos momentos, mas significativos. Assim consegue-se perceber melhor o que está acontecendo, quando há dispersões desnecessárias ou quando ressaltar um aspecto que está sendo apresentado.
Como nem sempre é possível reunir os alunos em horários predeterminados, o professor pode organizar também discussões gerais ou grupais no fórum. É um espaço onde se podem criar tópicos de discussão e cada um escreve quando o considera conveniente. Há fóruns gerais, para todos e podem também ser organizados em grupos, para discutir assuntos específicos e facilitar a interação. Os fóruns de grupos podem ser abertos a todos ou só para cada equipe, dependendo do grupo e da atividade. O importante é que os grupos participem, se envolvam, discutam, saiam do isolamento, um dos grandes problemas da educação a distância até agora.
As ferramentas de comunicação virtual até agora são predominantemente escritas, caminhando para ser audiovisuais. Por enquanto escrevemos mensagens, respostas, simulamos uma comunicação falada. Esses chats e fóruns permitem contatos a distância, podem ser úteis, mas não podemos esperar que só assim aconteça uma grande revolução, automaticamente. Depende muito do professor, do grupo, da sua maturidade, sua motivação, do tempo disponível, da facilidade de acesso. Alguns alunos se comunicam bem no virtual, outros não. Alguns são rápidos na escrita e no raciocínio, outros não. Alguns tentam monopolizar as falas (como no presencial) outros ficam só como observadores. Por isso é importante modificar os coordenadores, incentivar os mais passivos e organizar a seqüência das discussões.
O ritmo do presencial-virtual depende de muitos fatores. Não se pode estabelecer a priori um padrão rígido. Cada professor encontrará o seu ponto ideal de equilíbrio e depende também do grau de maturidade e cooperação da classe. O importante é que prever uma espécie de aula-sanfona, que vai do presencial para o virtual e volta para o presencial de acordo com o ritmo do grupo.
Hoje a possibilidade que temos de troca no presencial é muito maior que no virtual (embora não aproveitemos, em geral, o seu potencial). Com o avanço da banda larga, ao ver-nos e ouvir-nos facilmente, recriaremos condições de presencialidade de forma mais próxima e sentiremos mais o contato com os outros, que estão em diversos lugares.
Pela avaliação feita com os alunos,  vale a pena utilizar ambientes virtuais como ampliação do espaço e tempo da sala de aula tradicional, mas não são uma panacéia para a aprendizagem nem substituem a necessidade de contatos presenciais periódicos. Equilibrando o presencial e o virtual podemos obtergrandes resultados a um custo menor de deslocamento, perda de tempo, e de maior flexibilidade de gerenciamento da aprendizagem.
Educar em ambientes virtuais exige mais dedicação do professor, mais apoio de uma equipe técnico-pedagógica, mais tempo de preparação – ao menos nesta primeira fase - e principalmente de acompanhamento, mas para os alunos há um ganho grande de personalização da aprendizagem, de adaptação ao seu ritmo de vida, principalmente na fase adulta.
Com o aumento do acesso dos alunos à Internet, poderemos flexibilizar bem mais o currículo, combinando momentos de encontro numa sala de aula com outros de aprendizagem individual e grupal. Aprender a ensinar e a aprender, integrando ambientes presenciais e virtuais, é um dos grandes desafios que estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro.
É importante neste processo dinâmico de aprender pesquisando, utilizar todos os recursos, todas as técnicas possíveis por cada professor, por cada instituição, por cada classe: integrar as dinâmicas tradicionais com as inovadoras, a escrita com o audiovisual, o texto seqüencial com o hipertexto, o encontro presencial com o virtual.
O que muda no papel do professor? Muda a relação de espaço, tempo e comunicação com os alunos. O espaço de trocas se estende da sala de aula para o virtual. O tempo de enviar ou receber informações se amplia para qualquer dia da semana. O processo de comunicação se dá na sala de aula, na Internet, no e-mail, no chat. É um papel que combina alguns momentos do professor convencional - às vezes é importante dar uma bela aula expositiva – com um papel muito mais destacado de gerente de pesquisa, de estimulador de busca, de coordenador dos resultados. É um papel de animação e coordenação muito mais flexível e constante, que exige muita atenção, sensibilidade, intuição (radar ligado) e domínio tecnológico.
Cada curso, cada professor vai fazer isso de forma semelhante e ao mesmo diferente. Não podemos padronizar e impor um modelo único da educação on-line. Cada área do conhecimento precisa mais ou menos do presencial. É importante experimentar, avaliar e avançar até termos segurança do ponto de equilíbrio na gestão do virtual e do presencial e de caminhar para ampliar as propostas pedagógicas mais adequadas para cada situação de ensino-aprendizagem on-line.
Todas as universidades e organizações educacionais, em todos os níveis, precisam experimentar como integrar o presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa. Precisamos vivenciar uma nova pedagogia do presencial e do virtual. Não temos muitas referências anteriores que transitem pelo presencial e pelo virtual de forma integrada. Até agora temos ou cursos em sala de aula ou cursos a distância, criados e gerenciados por grupos em núcleos específicos, pouco próximos da educação presencial. É importante que os núcleos de educação a distância das universidades saiam do seu isolamento e se aproximem dos departamentos e grupos de professores interessados em flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o presencial e o virtual.

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[1] Curso de Pedagogia nas séries iniciais para professores em serviço da rede pública do Estado de São Paulo, que teve a duração de dois anos: 2001-2002
[2] Denomino a comunicação em tempo real de on-line e a de tempos diferentes de off-line.
[3] A teleconferência é uma comunicação audiovisual, normalmente por satélite, que tem um centro produtor de imagem e som e muitos possíveis centros de recepção (telesalas) que permitem algum retorno (e-mail, fax, telefone ou áudio). Avideoconferência tem mais de um centro produtor. Podem ser vistos os alunos de uma ou várias salas. A videoconferência entre duas salas chama-se ponto a ponto. A videoconferência com várias salas se denomina multiponto.
[4] Existem cursos hoje que atingem centenas de alunos simultaneamente em muitas telesalas e onde os alunos podem fazer perguntas ou participar de uma avaliação instantânea de compreensão de conceitos ou de uma parte da exposição de um professor.
[5] Broadcast é uma transmissão via televisão fundamentalmente. Com a televisão digital cobra uma importância muito maior para a educação, porque combina a qualidade da imagem e som (da TV ou DVD) com a interação e navegação que fazemos na Internet.
[6] Veja os conceitos de on-line e off-line na nota 2.
  [10] Os artigos e palestras principais do Prof. Wilson Azevedo estão em www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/
[12] PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002
[13] PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.